Padre Donaciano de Abreu Freire

  O Patrono da Escola




Donaciano da Silva Bastos de Abreu Freire
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“um dos maiores oradores sagrados portugueses do século XX”, no dizer de Filipe de Figueiredo (1985), é filho do concelho de Estarreja, tendo nascido em Pardilhó no ano de 1889. Figura relevante do nosso país, durante a primeira metade do século XX, detentor de uma obra literária multifacetada – poesia, dramaturgia, crítica literária, jornalismo, epistolografia – o Padre Donaciano consumiu quase toda a sua vida na pastoreação da freguesia de Beduído. Não foi fácil a sua carreira intelectual. Pelo contrário, foi acidentada e penosa, embora brilhante. Por isso, entendeu bem a necessidade de dotar, a terra que lhe foi confiada, dos meios necessários para a instrução e a educação dos jovens.

Concluiu o seu curso de Teologia. Todavia, como não possuía, ainda, idade para ser ordenado, continuará, por mais algum tempo, no seminário, como bibliotecário, circunstância que aproveitou para a leitura de bons autores.

É ordenado sacerdote no ano de 1912, sendo parte dessa sua nova vida de sacerdócio passada no norte do país, onde também desempenha funções de professor num dos mais conceituados colégios do Porto, o Colégio Almeida Garrett.

Em 1920 é nomeado coadjutor do Bunheiro, para onde vem em estrita obediência ao Bispo. No ano seguinte, é nomeado pároco, transitando para Estarreja em 1922, com 32 anos de idade. Com a experiência pessoal que trazia consigo, como estudante, aluno da instrução primária em Pardilhó e Avanca, aluno do ensino secundário em S. Fiel, na Beira Baixa, tão longe de sua casa e família, em clima serrano inóspito, tão diferente do da beira-ria e da beira-mar, com a experiência pedagógica de Casais Novos e do Porto, nos colégios de S. Carlos e Almeida Garrett, chegou a Estarreja, viu, julgou e agiu.

O Padre Donaciano era um homem extremamente sensível aos problemas dos outros e batia-se quanto podia para os resolver. Doía-lhe a alma ao ver tantos jovens, inteligentes, bem dotados, interessados, não poderem prosseguir estudos, além da instrução primária, por falta de recursos materiais que lhes permitissem ir estudar para outras terras.

Em 1923, um ano após a sua chegada, na decorrência desse seu modo de ser, congregou esforços, reuniu boas vontades, constituiu um corpo docente com a “prata da casa”, contratou pessoal administrativo, arrendou um edifício, obteve o alvará e abriu o Externato de Estarreja, junto à capela de S. Gonçalo, perto da única Escola Primária da vila, a Escola de Conde Ferreira, no coração geográfico da freguesia, entre a zona rural e a urbana.

Em Outubro de 1923, para responder às necessidades prementes da população, abriu, então, as suas portas o Externato de Estarreja.

O Externato nasceu, cresceu e viveu durante oito anos, cumprindo a sua missão com honra e glória. Porém, rapidamente, se foi mostrando inadequado, por insuficiente, porquanto a ele recorriam alunos já não apenas da freguesia e do concelho, mas de toda a região. Foi-se sentindo, portanto, necessário responder aos apelos que chegavam de perto e de longe, nomeadamente o da criação de um internato e/ou semi-internato, para acudir à saúde física e psíquica de muitos alunos.

Donaciano nunca foi homem de recusar desafios. Assim, em 1931, em parceria com outros ilustres, funda o Colégio D. Egas Moniz, com os cursos primário, liceal e comercial, para alunos internos, semi-internos e externos, com secções masculina e feminina. O Colégio foi instalado, numa fase inicial, no palacete da família Leite, vivenda sumptuosa, na Praça de Estarreja (edifício depois transformado na Casa do Pessoal do Amoníaco Português, hoje Quimigal, e para onde está projectada a instalação da Biblioteca Municipal de Estarreja). Mais tarde, dessas instalações primeiras passa para um edifício mandado construir, na década de sessenta, propositadamente para o efeito a que se destinava, pelo Dr. Ramos, o novo proprietário e director do colégio, edifício esse que, em período posterior, vem a ser adquirido para que nele seja instalada a Escola Secundária local.

Com o ano lectivo de 1985/86, assiste esse edifício a uma nova transformação, passando a ver nele funcionar a Escola Preparatória de Estarreja, a qual, a partir do dia dezoito de Abril de 1996, assume o nome oficial de Escola Básica dos 2.º e 3.º Ciclos Padre Donaciano de Abreu Freire, homenageando, assim, o grande percursor do ensino pós primário na região.

Em resultado do desajustamento progressivo do edifício à nova realidade escolar e ao número crescente de alunos, com o advento do ano 2000 efectiva-se o abandono dessas instalações escolares, em troca de outras construídas de raiz, na Arrotinha, continuando, todavia, o Padre Donaciano de Abreu Freire a dar-lhe o nome, o qual, desde o ano lectivo 1999/2000, não só designa a escola antes referida como, também, ainda que de forma não oficial, uma entidade mais vasta de espaços e de propósitos que é o Agrupamento Vertical de Escola de Estarreja.